Ideologia – O kit grampo mais vendido, um chip para ser instalado na linha telefônica que permite ouvir conversas a até 200 metros de distância, custa R$ 2 mil. O detetive Luís manda mala-direta para os parlamentares e garante que vende oito aparelhos por mês. Quando é chamado a instalar seus próprios equipamentos, cobra mais caro. “Dependendo do político, o preço aumenta”, conta o detetive, que faz até propaganda em horário nobre na tevê. Donos da Central Única de Detetives, os investigadores Edilmar Lima e Juliana Belém estão tendo muito trabalho. O filão é tão bom que Juliana abriu outra agência, O Espião, especializada em contra-espionagem política. Um grupo de detetives criou até a sucursal local de um certo Conselho Federal de Detetives e colocou na presidência Laureni Alves, o Bareta, um detetive que já esteve preso em 1997, acusado pela PF de ter espionado o senador José Roberto Arruda (PSDB-DF), líder do governo no Senado. “É um jogo sujo. Sinto-me agredido em saber que esse sujeito continua na ativa”, lamenta Arruda. “Hoje só uso telefone para marcar reuniões em que não vou.” Num mundo globalizado até para os detetives, um deles decidiu resistir. Adalto Guevara, investigador que se proclama marxista, diz que só aceita investigar políticos de direita. A esquerda, alega, já foi investigada demais.

Leia esta matéria na íntegra. (página 01) e (página 02)